Administração

Por que as pessoas se motivam ou se desmotivam?

Por que as pessoas se motivam ou se desmotivam?

O assunto motivação, juntamente com liderança, é o mais complexo e debatido dos temas gerenciais. Existem milhares de livros escritos a respeito, e o conteúdo parece nunca se esgotar.

Ernesto Berg –

O assunto motivação, juntamente com liderança, é o mais complexo e debatido dos temas gerenciais. Existem milhares de livros escritos a respeito, e o conteúdo parece nunca se esgotar.

Motivação

Motivação

O fato é que, do ponto de vista gerencial, motivação e liderança são as duas faces da mesma moeda. Você não pode ter uma sem possuir a outra ou – se preferir – uma não sobrevive sem a outra. É um casal que só vive feliz se estiver junto.

Você deve saber motivar a si mesmo e aos outros. A automotivação é uma questão pessoal. Quanto a motivar a equipe, é preciso ficar claro que nenhuma pessoa motiva a outra. O que você pode fazer é fornecer instrumentos e condições para que alguém se motive, e essa pessoa passa, então, a agir de forma motivada na busca de metas e objetivos que, para ela, podem se tornar significativos.

Todas as manhãs, ao se levantar, olhe no espelho. Gosta do que vê? Se sim, é importante, pois se você pretende motivar outros, primeiro deverá saber motivar a si próprio. Se você não gosta do que está vendo, se o seu rosto não é o que você gostaria de ver refletido, então você está desmotivado.

É hora de fazer algo a respeito. A automotivação ocorre mais facilmente se você possuir dois componentes básicos: metas – profissionais e pessoais – e autoestima. As metas devem estar alicerçadas em aspirações profundas pelas quais você faria qualquer esforço e pagaria qualquer preço para atingir.

Mas, tem de ser algo que motive a ação (motivo + ação), que faça vibrar cada vez em que pense nisso. Algo que, para você, faça valer a pena correr riscos, pois é o seu objetivo de vida.

Dessa forma, deve-se estabelecer metas na vida. Embora estabelecer metas possa parecer assustador, é necessário fazê-lo, porque, se não tiver coragem de lutar pelos seus próprios objetivos, ninguém irá realizá-los por você. Portanto, compre a ideia de assumir o controle da sua vida e estabeleça um sistema de metas por escrito.

Não basta apenas pensar nisso, é preciso escrever, porque a diferença entre um desejo e uma meta é que a meta está no papel, com um prazo para ser executada. Assim, você poderá visualizar as suas metas, o que torna mais fácil refazê-las, concentrar-se nelas, dar-lhes prioridades e executá-las.

A motivação está relacionada com a promoção de sua estima. O desenvolvimento de hábitos e capacidades positivas – seja lidar com o estresse, vencer o adiamento ou aprender a comandar as pessoas – depende de sua autoestima. Muito dela está baseada em mensagens recebidas por toda a vida – principalmente na infância – de seus pais, amigos, parentes, professores, meios de comunicação e de todo o ambiente que o cerca.

É sabido que muitas pessoas competentes profissionalmente sabotam suas chances de sucesso e felicidade por causa de problemas que elas consideram intransponíveis. Isso ocorre porque a maioria, infelizmente, convive com um baixo nível de autoestima cristalizado ao longo dos anos.

O resultado é a autoconfiança debilitada. A autoconfiança é absolutamente necessária se você quiser ter um melhor progresso em sua carreira. Ela o livra de preocupações desnecessárias, medo e insegurança. Torna o cérebro descansado para se dedicar a ideias positivas.

Desmotivação

Desmotivação

Você desenvolve essa autoconfiança aceitando novas oportunidades quando elas surgem, tomando a iniciativa e fazendo as coisas acontecerem em vez de esperar. Quando confiar em si mesmo, os outros também confiarão.

Confiança é como gripe, tremendamente contagiosa. Quando irradiar confiança, você estará motivado e saberá motivar os outros. As pessoas o seguirão e as oportunidades surgirão.

Importante é se deitar e levantar tranquilo. Não vá dormir com as tradicionais notícias pessimistas e angustiantes da tevê ou após ter assistido a um filme violento, pois elas agitarão o seu sono. As pesquisas revelam que o último pensamento com que a pessoa adormecer tenderá a predominar durante o sono.

Não é preciso, portanto, ter muita imaginação para saber o que acontecerá se você dormir preocupado ou alarmado. Ao deitar, reserve dez minutos para você mesmo. Visualize uma paisagem paradisíaca, cheia de luz, cores e muita paz. Sinta esse ambiente positivo e tranquilizante envolvê-lo e permaneça nele enquanto adormecer.

Se puder, ao mesmo tempo ouça uma música relaxante e suave. Outros, ainda, conseguem excelentes resultados orando e comungando com Deus pouco antes de dormir, agradecendo pela proteção e força recebidas durante o dia. Fazendo essas coisas seu sono terá melhor qualidade.

Ao levantar, disponha de pelo menos cinco minutos para você mesmo. Não ligue correndo a televisão à cata das eternas notícias perturbadoras, nem ligue o rádio no último volume para ouvir música agitada (rock, samba, etc.). Respeite-se. Ao levantar, fique num lugar tranquilo de sua residência e visualize um dia de harmonia e proteção em seu lar, no trabalho ou onde estiver.

Faça com que essa sensação de harmonia e proteção penetre em você, sinta-se mesmo invadido por esse estado de espírito. Permaneça assim por cinco minutos pelo menos. No decorrer do dia, lembre-se, a cada hora ou par de horas, dessa sensação de harmonia e proteção. Você ficará surpreso de ver como as coisas poderão se encaminhar favoravelmente durante o dia. Tudo isso porque, inconscientemente, sua postura será mais tranquila e confiante diante das pessoas e situações, e as respostas tenderão a se alinhar com o seu comportamento harmonioso.

Não se esqueça de estabelecer a harmonia no relacionamento da equipe. Faça com que seus liderados aprendam a trabalhar em equipe e estabeleça um ambiente de cooperação. O trabalho em equipe, a confiança mútua e a cooperação geram mais trabalho produtivo e motivação do que muitos métodos sofisticados o conseguem.

Dicas motivação

Dicas motivação

Mantenha um ambiente alegre, tranquilo e harmônico. Comemore um resultado positivo de seu departamento – como um projeto concluído, um desempenho acima da média -, oferecendo à sua equipe refrigerantes e salgadinhos, ou algo parecido, no final do expediente.

Fundamental é reforçar a autoestima dos colaboradores. Faça com que as pessoas se sintam vencedoras. Gere orgulho do liderado pelo trabalho que ele desempenha, pela empresa em que trabalha e, sobretudo, faça-o ter orgulho de si mesmo.

O orgulho gera o desejo do êxito que faz as pessoas buscarem no seu íntimo os recursos inexplorados. Uma das melhores maneiras de incutir o orgulho nas pessoas é dar-lhes o sentido de responsabilidade pelo que estão fazendo e ajudá-las a saber que elas desempenham uma função importante. Encoraje cada um a fixar prioridades em seu trabalho, fazendo, com isso, com que ele se envolva e se comprometa com os resultados obtidos.

A pessoas devem estabelecer metas ambiciosas, mas exequíveis. É impossível gerar orgulho na equipe sem estabelecer padrões elevados de qualidade e produtividade. Mas, em primeiro lugar, as metas devem ser claras para todos. Não pode existir a menor dúvida na equipe sobre o que se pretende atingir e como chegar lá.

Em segundo lugar, essas metas devem ser ambiciosas – às vezes difíceis – mas atingíveis. Se houver resistência da equipe, você terá de negociar as metas com ela e, ao mesmo tempo, mostrar o desafio que os colaboradores terão pela frente. Isso os estimulará.

Todos devem manter aberto os canais de comunicação. Ouça o seu pessoal. Aceite sugestões. Envolva-os na busca da solução dos problemas. Fale dos números e resultados que a empresa obteve.

Converse com os liderados constantemente, mantenha um ambiente de respeito e cortesia. Não seja o único canal que existe para o contato com a alta administração. Permita que os seus subalternos se dirijam ao nível superior da organização, com ou sem a sua presença.

Neste caso, deverá ficar claro aos liderados e à chefia superior que isso está acontecendo com o seu consentimento e que posteriormente você quer receber o feedback da reunião, ou do subordinado ou da chefia com quem ocorreu o contato. Talvez até de ambos. Dessa forma, sem a sua presença, você demonstra a confiança e que está acompanhando o desenrolar da situação.

As pessoas devem lembrar de que é recompensado o que é feito. Existem muitas outras formas de recompensar além do dinheiro. Aliás, essa última é uma das formas que o chefe menos tem poder de premiar. Mas, invariavelmente, tudo o que é recompensado é realizado com mais interesse e motivação, desde que a recompensa tenha valor para essa pessoa.

Por exemplo, você pode premiar um bom trabalho ou um grande esforço dispendido com um treinamento ou um dia de folga, um jantar, um bem (perfume, minicalculadora, etc.), entradas para eventos esportivos ou culturais, uma doação para uma instituição de caridade de escolha do empregado. Descubra outras formas ou pergunte que recompensas eles gostariam de obter.

Porém, seja qual for a premiação, as regras devem estar bem claras para todos e porque alguém está sendo recompensado (alta produtividade, esforços extras prolongados, ideias que trouxeram bom retorno, etc.), para que não haja a ideia de favorecimento ou protecionismo. Outras formas de premiação podem incluir promoções, transferências, ampliação de funções ou tarefas, participação em novos projetos, estágios, etc.

Deve-se fazer do treinamento uma prioridade. Proporcione cursos, treinamentos, palestras, estágios, sessões em que são exibidos filmes em vídeo, DVD ou mesmo diretamente da internet que aprimorem a capacidade do seu pessoal. Investir na competência e no preparo de pessoas tem retorno garantido em forma de motivação, produtividade e metas atingidas.

Lembre-se de elogiar e reconhecer. O elogio e o reconhecimento por um trabalho bem feito ou uma decisão acertada devem sempre ser sinceros. Falsos elogios ou elogios muito frequentes fazem perder a credibilidade e banalizam o fato. Porém, não economize elogios se a pessoa fizer por merecê-los.

Ao elogiar, faça-o com sinceridade e convicção e, se possível, diante de outras pessoas. Isso provocará um efeito positivo em todos. Mas, quando for repreender ou chamar a atenção de alguém, faça-o sempre em particular, sem a presença de outras pessoas. Com isso, você estará preservando o orgulho e/ou o autorrespeito do liderado.

Não se deve esquecer de incentivar e recompensar os riscos, quando previamente calculados. Injete em sua equipe um espírito em que inovação e riscos são recompensados ou, pelo menos, reconhecidos como válidos e importantes em busca de uma melhoria ou otimização.

Mesmo que o resultado não tenha sido bem-sucedido, demonstre apreço e reconhecimento pela tentativa. Não desencoraje as iniciativas dessa natureza para não inibir futuras ideias e ações que, com certeza, acabarão tornando-se bem-sucedidas. Só erra quem tenta. Os acertos só acontecem devido aos erros anteriores, que forneceram a experiência necessária para os futuros acertos.

Normalmente, deve-se manter um ambiente físico e psicológico agradável. Tanto o ambiente físico quanto o psicológico são decisivos para provocar estímulos motivacionais. Todos os estudos e pesquisas realizados nesse sentido revelaram a importância desses fatores.

Um local com música ambiente, em baixo volume, bem iluminado, arejado, com paredes em tom pastel ou cinza suave, ornado com plantas, flores e quadros de bom gosto transmite outro ânimo e energia ao ambiente. Propicie também momentos de congraçamento do pessoal em ocasiões especiais, como a celebração de um aniversário, amigo secreto, ou algo parecido, no final do expediente. Isso aproxima a equipe, melhora a comunicação e dá maior coesão no trabalho.

É fundamental, mostrar aos liderados uma visão global do que é feito em seu departamento e de como isso se insere no contexto geral da organização. Enfatize a importância de um bom entrosamento com todas as áreas da empresa (produção, vendas, administração, finanças, etc.) e que só a colaboração com outras divisões e diretorias é que permite maior agilidade e ganho de competitividade no mercado, vale dizer, satisfação do cliente, sobrevivência da companhia e garantia de emprego.

Não se deve esquecer sempre dar o exemplo. Não apenas o que você fala é importante; muito mais do que isso, o que você faz e como se comporta diante dos subalternos é o que realmente conta. Como chefe, você está sempre sendo observado por seus liderados, tenha ou não consciência disso e sua forma de atuar passa a ser um padrão de referência e um exemplo para eles, mesmo que você não se aperceba disso.

Lembre-se: como chefe, você sempre é mais visto do que vê os outros e é bom estar consciente disso ou poderá provocar muitos danos e desmotivação junto à sua equipe. Portanto, seja um exemplo de competência – não de incapacidade – junto ao seu pessoal.

Seu modo de vestir, a maneira de interagir com colegas e superiores, se você inicia ou não as reuniões no horário, a qualidade do seu trabalho, seu comportamento, os ideais que você defende no dia a dia, seus valores e princípios. Tudo isso, e muito mais, pode inspirar ou desmotivar sua equipe.

Faça periodicamente uma autoavaliação para ver se você mesmo está agindo do jeito que você deseja que o seu próprio pessoal o faça. Pergunte-se: em uma escala de zero a dez, que nota eu atribuiria a mim mesmo como um exemplo de profissional digno de ser seguido pelos outros? Onde devo melhorar? Suas respostas o esclarecerão sobre o que você deve fazer para melhorar, desde que haja sinceridade na sua autoanálise.

Há outras formas de motivar. Um sorriso sincero ameniza o ambiente. Diga muito obrigado olhando nos olhos da pessoa com quem estiver dialogando. Ouça o colaborador que tem uma ideia para melhorar a eficiência e, em seguida, sendo exequível, aja de acordo com a sugestão.

Faça o seu pessoal atuar em projetos intersetoriais, cujos membros são de departamentos diferentes. Faça da gerência participativa um dos alicerces de sua atuação.

Para tanto envolva o seu pessoal no planejamento de metas e objetivos do seu setor; envolva-os nas decisões que lhes dizem respeito diretamente; faça com que se sintam responsáveis pelas decisões e pelos resultados atingidos; institua círculos de controle de qualidade ou semelhantes e acate suas sugestões sempre que provarem uma relação custo-benefício vantajosa para eles e para a empresa; e institua formas de premiação individual ou em equipe por resultados atingidos.

FONTE: Revistaadormas Por Redação em 08/01/2019

Ernesto Berg é consultor de empresas, professor, palestrante, articulista, autor de 18 livros, especialista em desenvolvimento organizacional, negociação, gestão do tempo, criatividade na tomada de decisão, administração de conflitos – berg@quebrandobarreiras.com.br

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